Inadimplência de aluguel fecha 2025 com leve alta e imóveis comerciais preocupam

O período de julho a outubro registrou os maiores índices do ano, com o pico da inadimplência em setembro, de 3,80%. Já março teve o menor índice do ano, com 3,09%

Por: Grupo Superlógica3 Minutos de leituraEm 19/01/2026Atualizado em 22/01/2026

A inadimplência de aluguel no Brasil terminou o ano com média de 3,50%, acima das taxas registradas no início do ano e em dezembro, que foi de 3,44% – a mais baixa do segundo semestre. As menores taxas foram registradas em março (3,09%) e abril (3,15%), enquanto o período de julho a outubro teve um histórico de alta (3,76%), com a maior taxa do ano em setembro, de 3,80%. Os dados são do Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica, principal plataforma de soluções tecnológicas e financeiras para os mercados condominial e imobiliário no país.

“Podemos observar um primeiro semestre de taxas mais baixas de inadimplência, com destaque para março e abril, enquanto o segundo manteve números altos, mas estáveis”, afirma Manoel Gonçalves, Diretor de Negócios para Imobiliárias da Superlógica. O especialista aponta que há os primeiros sinais de recuperação para 2026 após duas quedas consecutivas na inadimplência no fim de 2025, mas prega cautela. “Fatores externos podem impactar muito o orçamento das famílias – entre eles, as bets, que provocaram perdas econômicas de R$ 38,8 mi no último ano segundo o Banco Central – e devem ser considerados para manter as contas no azul.”

Gonçalves destaca ainda que “o aluguel raramente é o primeiro gasto a ser cortado, já que moradia é uma necessidade básica. Por isso, a inadimplência locatícia funciona como um sinal claro de fragilidade na situação econômica da população, especialmente entre as classes de menor renda”.

No primeiro semestre, as regiões Norte e Nordeste alternaram entre as maiores taxas do ano – com o Norte liberando em janeiro, fevereiro, março e maio. Já no segundo semestre, o Nordeste registrou, em todos os meses, as maiores taxas do Brasil, com pico em outubro (6,84%). Na comparação anual, a região Nordeste manteve o índice mais alto do país, com 5,15%, mas com uma queda de 0,68 ponto percentual em relação a 2024 (5,83%). O Norte fechou o ano com inadimplência de 4,88%, recuo de 0,70 ponto percentual também em comparação com o ano anterior.

O Centro-Oeste teve o terceiro posto do pódio de 2025, com 3,59% (aumento de 0,42 ponto percentual ante 2024), com Sudeste (3,24% ante 3,12%) e Sul (2,89% ante 2,75%) na conclusão do ranking. “As taxas dessas regiões são mais baixas em relação ao Norte e Nordeste, mas tiveram aumento em relação ao ano anterior, o que acende um alerta para essas regiões também”, pondera Gonçalves.

O levantamento mostra ainda que os imóveis comerciais registraram taxas de inadimplência mais altas do que os residenciais (apartamentos e casas). Apartamentos, casas e prédios comerciais registraram médias de 2,36%, 3,79% e  4,84% em 2025, respectivamente. Enquanto casas e comércios tiveram crescimentos respectivos de 0,01 e 0,40 pontos percentuais, os apartamentos tiveram queda de 0,08 ponto percentual.

Além de registrar o maior aumento ano contra ano, os imóveis comerciais lideraram a inadimplência durante 2025, com taxas entre 4,12% e 5,55% – pico marcado em setembro. “Esse tipo de imóvel pode ser mais afetado considerando a instabilidade econômica e os desafios enfrentados por empresas, refletindo muitas vezes as dificuldades financeiras de empreendedores brasileiros”, analisa o especialista.

Os imóveis residenciais com aluguel acima de R$ 13.000 finalizaram o ano com uma taxa média de 6,18%, contra 6,04% de 2024. Nos imóveis comerciais, a média foi maior na faixa até R$ 1.000, com 7,94%, ante 6,76% – essa faixa também liderou a inadimplência ao longo de 2025, com índices de até 9,89%. Por outro lado, em ambos os tipos de imóveis, a faixa de R$ 2.000 a R$ 3.000 fechou o ano com a menor média de inadimplência de aluguel – 2% nos imóveis residenciais e 4,11% nos comerciais.

“O ano ficou marcado pela maior taxa de juros em quase duas décadas (15% da Selic) e perda da força da atividade econômica no Brasil após três anos consecutivos de crescimento – a expectativa de aumento é de 2,6% para 2025 contra 3,4% em 2024 –, o que impacta diretamente no poder de compra das famílias brasileiras e no pagamento das despesas. É preciso começar o ano com cuidado e atenção para manter as contas em dia e evitar problemas no futuro”, alerta Gonçalves.