Brasil registra menor inadimplência de aluguel dos últimos três anos, aponta Superlógica
Nordeste tem queda em julho, com 4,88%, mas continua liderando o ranking nacional, enquanto o Sul preserva a menor taxa do país, com 2,67%
A inadimplência de aluguel no Brasil atingiu em julho o menor nível dos últimos três anos, com taxa de 3,05% – queda de 0,15 ponto percentual em relação a junho. Este é o menor índice desde junho de 2023, quando registrou 3,03%. Já na comparação com julho de 2025 (3,76%) a queda foi de 0,71 ponto percentual. Os dados são do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL) da Superlógica, principal plataforma de soluções tecnológicas e financeiras para os mercados condominial e imobiliário, apresentados no Next 2026, maior festival de conhecimento do setor no Brasil.
Segundo Manoel Gonçalves, Diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, “a queda na inadimplência em julho reflete um alívio para as famílias no período, mas ainda é cedo para avaliar se esse respiro se manterá nos próximos meses. O cenário ainda exige atenção, pois juros e inflação podem impactar a renda familiar e, em consequência, o pagamento, em dia, do aluguel”.
Na análise por valor, os imóveis comerciais de até R$ 1 mil apresentaram queda de 0,13p.p., mas ainda preocupam pois concentram a maior taxa de inadimplência, de 7,27%, bem acima da média nacional. A mesma faixa de preço nos imóveis residenciais também é a maior na categoria, com 5,99%.
A maioria das faixas analisadas apresentou queda em julho. Nos imóveis residenciais, um dos maiores recuos ocorreu entre os aluguéis acima de R$ 13 mil, cuja taxa caiu 0,58 ponto percentual, chegando a 4,84%. Nos comerciais, a faixa entre R$ 5 mil e R$ 8 mil passou de 3,90% em junho para 3,77% em julho. As menores taxas do mês foram registradas nos imóveis residenciais entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, com 1,74%, e nos comerciais entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, com 3,42%.
“Mesmo com uma queda na inadimplência em nível nacional, a concentração das maiores taxas entre os aluguéis residenciais de menor valor é um ponto de atenção. Esse resultado mostra que a inadimplência não se distribui de maneira uniforme pelo mercado e reforça a importância de acompanhar como o orçamento das famílias evolui nos próximos meses”, analisa Gonçalves. “Em um cenário de juros ainda elevados e de pressão sobre o custo de vida, famílias com menor margem no orçamento tendem a sentir mais o impacto do aumento de despesas essenciais, como alimentação e transporte, o que pode reduzir a capacidade de absorver imprevistos e manter compromissos como o aluguel em dia. Por isso, é importante acompanhar a evolução desse recorte nos próximos meses”.
Na análise por tipo de imóvel, os três segmentos registraram queda em julho. Os imóveis comerciais continuam com a maior taxa, de 4,17%, ante 4,19% em junho. Nas casas, o índice caiu de 3,45% para 3,29%, enquanto nos apartamentos passou de 2,16% para 2,14%.
O Nordeste permaneceu com a maior taxa regional de inadimplência em julho, apesar do recuo de 5,15% para 4,88%. O Norte aparece em segundo lugar, com 4,04%, ante 4,30% no mês anterior. O Centro-Oeste passou de 3,00% para 2,80%, enquanto o Sudeste recuou de 2,96% para 2,78%. O Sul permanece com o menor índice do país, de 2,67%, ante 2,71% em junho.
Recorte semestral
A taxa média nacional de inadimplência ficou em 3,24% no primeiro semestre de 2026, após atingir 3,71% no segundo semestre de 2025. O resultado também ficou ligeiramente abaixo dos 3,30% registrados nos primeiros seis meses do ano passado.
A maioria das regiões acompanhou esse movimento, com alta na segunda metade de 2025 e recuo no início deste ano. A exceção foi o Norte, onde a inadimplência caiu nos três períodos analisados: de 4,83% no primeiro semestre de 2025 para 4,59% no segundo e 4,33% nos primeiros seis meses de 2026.
No primeiro semestre deste ano, o Nordeste apresentou a maior taxa média entre as regiões, de 4,83%, seguido pelo Norte (4,33%), Centro-Oeste (3,16%), Sudeste (3,10%) e Sul (2,69%).